O Anão e o Gigante
Um anão que media apenas dois palmos e era mais terrível do que a fome, certo dia saiu em busca de trabalho, pois estava muito necessitado. Procurou por toda parte, mas ninguém queria lhe dar emprego. Por fim, encontrou um gigante, que disse:
– Vou contratar seus serviços, mas com uma condição.
– E que condição é essa?
– Você terá que fazer as mesmas coisas que eu. Se não fizer, será morto. Se fizer, ficará rico.
– De acordo. Se eu me sair bem, serei um homem próspero. Se não, você me matará.
– Isso.
Na manhã seguinte, o gigante convidou o anão para roubar lenha numa fazenda cujo dono tinha fama de ser violento, sobretudo com aqueles que ousavam invadir sua propriedade. E os dois lá se foram.
Ao chegar à fazenda, o gigante começou a trabalhar. Juntou um imenso feixe de lenha e o ergueu nos ombros. Mas o anão, sem se impressionar com a façanha do gigante, pegou uma corda muito comprida e estendeu-a no chão. Depois começou a recolher gravetos, arrumando-os cuidadosamente, um ao lado do outro, sobre a corda.
O gigante, curioso, perguntou:
– O que você está fazendo?
O anão, sem interromper sua meticulosa tarefa, respondeu:
– Ora, esse feixe que você está levando não é nada.
– Não? Pois quero ver você carregar um igual.
– Farei muito melhor – respondeu o anão. – Enquanto não colocar sobre a corda toda a madeira que há neste bosque, não sairei daqui.
– Mas, homem, você está maluco! – o gigante exclamou assustado. – Desse jeito, o dono da fazenda vai nos descobrir e nos matar!
– Pouco me importa – disse o anão. – Já decidi e não volto atrás: ou levo o bosque inteiro ou não levo nada.
– Então, deixe estar. Esta você ganhou. Mas vamos sair daqui, rápido.
E lá se foram, o gigante com seu grande feixe, o anão com as mãos nos bolsos.
No dia seguinte, o gigante convidou o anão para buscar água.
A alguns quilômetros de distância havia uma nascente que, com suas águas límpidas e puras, supria os habitantes do povoado.
– Vamos lá – disse o gigante, pegando dois baldes enormes.
– Eu não carrego baldes – disse o anão. – Para mim, bastam uma picareta e uma pá.
– E para que diabos você quer essas ferramentas?
O anão nada respondeu. Os dois caminharam em silêncio até a nascente. Lá chegando, o gigante repetiu a pergunta, dessa vez num tom ameaçador. Muito calmo, o anão disse:
– Para mim não tem graça carregar baldes. O que eu quero mesmo é desviar toda essa água para sua casa. Assim, você poderá viver tranquilamente, sem pensar mais nesse assunto.
Pegando a picareta e a pá, o anão começou a cavar, enquanto dizia:
– Talvez eu demore um pouco, mas vou fazer o fluxo de água mudar de rumo.
O gigante reagiu assustado:
- Você ficou maluco, homem! Se o pessoal do povoado descobrir isso, estaremos perdidos.
– Pouco me importa – respondeu o anão, sem interromper o que fazia. – Ou levo toda a água da nascente para casa ou não levo nada.
– Já chega de cavar – disse o gigante, entregando os pontos. – Você também ganhou esta.
No dia seguinte, os dois foram ao centro do povoado. No pátio da prefeitura, alguns homens treinavam para um torneio de lançamento de dardos, que aconteceria em breve. O gigante resolveu entrar no jogo. Pegou um dardo e lançou-o muito longe, bem mais do que todos os outros jogadores. Voltando-se para o anão, disse:
– Agora é a sua vez.
O anão escolheu um dardo, examinou-o com atenção e ordenou:
– Afastem-se, pois preciso de espaço para jogar.
Todos recuaram, mas o anão insistiu:
– Para trás! Muito mais para trás, minha gente!
– Mas aonde você pretende atirar este dardo? – perguntou o gigante.
Apontando uma casa, no topo de uma colina, o anão respondeu:
– Está vendo aquela janela, a mais alta? Pois é lá que vou atirar.
– Mas o que há com você, homem?
– Nada, oras. Só que me deu vontade de acertar lá, que com certeza é a janela do sótão.
– Mas aquela é a casa do prefeito. E se você jogar mesmo esse dardo, iremos parar na cadeia.
– Pois ou acerto a janela, ou não jogo mais.
– Então, vamos parar por aqui – disse o gigante.
– E como ficam nossas contas?
– Você também ganhou esta.
Na manhã seguinte, o gigante carregou um burro com dois alforjes cheios de dinheiro. Chamou o anão e disse-lhe que podia ir embora, pois o trato estava terminado. O anão montou o animal, despediu-se de seu ex-patrão e partiu.
A mulher do gigante, que estava a par de tudo, repreendeu-o severamente:
– Como você é estúpido! Nem percebeu que aquele anão trapaceou o tempo todo. E ainda por cima saiu ileso, levando seu burro e seu dinheiro.
Caindo em si, o gigante respondeu:
– Tem razão. Agora mesmo vou acabar com aquele salafrário.
O anão já ia longe, quando viu que o gigante se aproximava furioso. Então escondeu o burro atrás de uns arbustos e colocou-se bem no meio da estrada, a cabeça jogada para trás, a mão em concha sobre os olhos fixos no céu, como se procurasse algo.
Logo o gigante chegou e disse:
– O que é que você está olhando?
E o anão, calmo como sempre, respondeu:
– Nada…É que o burro que você me deu não estava podendo com a carga e começou a empacar. Então, dei-lhe um pontapé com tanta força, que ele foi parar lá no alto e até agora não caiu. Estou só esperando que chegue aqui embaixo para lhe dar outro. E com esse, garanto, ele nunca mais vai descer.
Ao ouvir isso, o gigante correu de volta para casa muito assustado:
– Meu Deus, Nossa Senhora, que todos os santos do Céu me protejam! Se me descuido, ele fará isso comigo também.
E assim o anão retomou a viagem em paz, com seu burro, seu dinheiro, suas artes, suas manhas.
* * *
O sapo
O sapo está cantarolando feliz da vida em uma pedra na lagoa. Então, aparecem dois meninos que adoram fazer maldades. Eles pegam o sapo, colocam em um saco e ficam pensando em como fazer o sapo sofrer. Eles o levam para o alto de uma montanha e decidem atirar o sapo do alto da montanha. Quando abrem o saco, o sapo diz: “Ai, meninos, isso me joguem, vou voar, sentir o ar fresquinho, que delícia, me joguem, me joguem.”
Os dois meninos sabendo que o sapo não ia sofrer decidem pensar em outra maneira de maltratá-lo. Então, os dois pegam dois alfinetões e decidem espetar o sapo, quanto abrem o saco, o sabido diz: “Ai meninos, me espetem, me espetem, ui,ui que delicia de coceguinha, ai,ai,ai, é como se fosse acupuntura.”
Os dois, já confusos, decidem procurar outra forma até que encontram uma fogueira, abrem o saco e o sapo diz: “Ai que gostoso, isso meninos, me joguem na fogueira, vou sentir este calorzinho gostoso, ui,ui, me joguem, me joguem.”
Já furiosos, os dois decidem encontrar outra maneira, quando de repente encontram um lago. O sapo que estava com a cabeça para fora do saco já começa a gritar: “Não ,não, não, socorro meninos, não me joguem neste lago, tenho muitos filhinhos, uma esposa que me ama, pôr piedade, não me joguem.”
Os dois meninos se entreolham sorrindo e decidem jogar o sapo no lago.
Ouvem: glub, glub, glub, glub do sapo afundando.
Satisfeitos com a maldade decidem ir embora sorrindo quando ouvem então um cantarolar. Os dois olham para trás e vêem o sapo cantando em cima de uma pedra. O sapo diz: “Meninos, vocês podem ser muito espertos, mas eu sou muito mais inteligente.
* * *
A estrela-do-mar
Uma antiga lenda da província de Okinawa conta que, certa ocasião, o deus Estrela Polar e a deusa Cruzeiro do Sul resolveram trazer vida para a terra. Então, quando a deusa Cruzeiro do Sul estava pronta para dar à luz, ela perguntou ao deus Poderoso do Céu onde poderia ter seus bebês.
O deus Poderoso do Céu olhou para a terra e avistou uma pequena ilha chamada Taketomi-jima, onde existia, ao sul, um belo mar de coral. Então, ele disse à deusa Cruzeiro do Sul: – Vá ao lado sul de Taketomi-jima, pois lá existe uma praia com águas mornas e ondas mansas, isso será muito bom para seus bebês.
Assim, a deusa Cruzeiro do Sul desceu da Alta Planície Celeste e dirigiu-se à ilha, conforme sugerira o deus Poderoso do Céu. Lá chegando, deu à luz a várias estrelinhas cintilantes. A deusa estava muito feliz, pois realmente aquela praia tinha a água morna e uma temperatura perfeita para que suas filhas pudessem passar os primeiros anos de suas vidas.
– Assim que crescerem, elas subirão a Alta Planície Celeste para se encontrar comigo e viveremos cintilantes no céu. Disse a deusa retornando ao seu lugar.
Entretanto, o deus Sete Dragões do Mar ficou irritado, porque a deusa Cruzeiro do Sul não lhe pediu permissão e usou a praia para parir seus filhos. Ele então chamou uma das suas serviçais, a dona Serpente Gigante, e ordenou:
– Não admito que ninguém dê à luz em meu oceano sem minha permissão. Vá e devore todos os bebês que encontrar na região sul da ilha.
A dona Serpente Gigante, obediente à ordem de seu amo, engoliu todos os bebês da deusa Cruzeiro do Sul com sua enorme bocarra, matando-os todos. Em seguida, cuspiu seus corpos.
As estrelinhas mortas flutuaram no mar até alcançarem uma praia chamada Higashi Misaki, no lado leste da ilha Taketomi. As estrelinhas, empurradas pelas ondas, pararam na praia e ficaram com o corpo salpicado de areia. Nessa localidade, havia um santuário onde vivia a semideusa Amável. Quando encontrou as estrelinhas sem vida, Amável sentiu muita pena delas e levou-as para o santuário.
- Oh! Pobres estrelinhas, vou colocá-las no incensório. Assim, quando os aldeões vierem me trazer oferendas durante o festival e queimarem os incensos, suas almas poderão subir ao céu junto à fumaça. Lá, na Alta Planície Celeste, poderão reencontrar sua mãe.
Conforme a semideusa Amável planejou, quando chegou o dia do festival, os aldeões queimaram muitos incensos e as almas dos bebês-estrelas subiram ao céu levadas pelas fumaças.
Esta é a origem lendária da estrela-do-mar. Em Taketomi-jima, apesar de séculos terem se passado, ainda hoje é possível encontrar estrelas-do-mar com corpos salpicados de areia nas belas praias que ficam ao sul da ilha de Okinawa. Elas são conhecidas como Hoshi-suna (estrelas de areias), nome que nasceu em referência a esta lenda.
* * * *
A Galinha Ruiva
(existe uma versão da Editora Brinque-book chamada a Galinha Xadrez)
Era uma vez uma galinha ruiva, que morava com seus pintinhos numa fazenda.
Um dia ela percebeu que o milho estava maduro, pronto prá colher e virar um bom alimento.
A galinha ruiva teve a idéia de fazer um delicioso bolo de milho. Todos iam gostar!
Era muito trabalho: ela precisava de bastante milho para o bolo.
Quem podia ajudar a colher a espiga de milho no pé?
Quem podia ajudar a debulhar todo aquele milho?
Quem podia ajudar a moer o milho para fazer a farinha de milho para o bolo?
Foi pensando nisso que a galinha ruiva encontrou seus amigos:
- Quem pode me ajudar a colher o milho para fazer um delicioso bolo?
- Eu não, disse o gato. Estou com muito sono.
- Eu não, disse o cachorro. Estou muito ocupado.
- Eu não, disse o porco. Acabei de almoçar.
- Eu não disse a vaca. Está na hora de brincar lá fora.
Todo mundo disse não.
Então, a galinha ruiva foi preparar tudo sozinha: colheu as espigas, debulhou o milho, moeu a farinha, preparou o bolo e colocou no forno.
Quando o bolo ficou pronto …
Aquele cheirinho bom de bolo foi fazendo os amigos se chegarem. Todos ficaram com água na boca.
Então a galinha ruiva disse:
- Quem foi que me ajudou a colher o milho, preparar o milho, para fazer o bolo?
Todos ficaram bem quietinhos. ( Ninguém tinha ajudado.)
- Então quem vai comer o delicioso bolo de milho sou eu e meus pintinhos, apenas. Vocês podem continuar a descansar olhando.
E assim foi: a galinha e seus pintinhos aproveitaram a festa, e nenhum dos preguiçosos foi convidado.
* * * *
O Boneco de Neve
- Faz um frio tão maravilhoso que o meu corpo estala – disse o boneco de neve!
Em seu rosto havia dois pedaços triangulares de telha, sua boca era feia de um ancinho (dentes de uma enxada para recolher folhas).
Ele queria muito sair dali, deslizar pela neve e correr, assim como os meninos.
O boneco de neve ouve o latido do cão, já estava rouco, desde que havia se deitado ao lado da lareira.
Vinha dia, vinha noite o boneco de neve continuava lá. Toda manhã ele via o chão, as árvores e os galhos cobertos de neve, quando o sol batia neles, pareciam diamantes espalhados por toda a parte.
Depois, o cão e o boneco de neve viram um casal sair da casa e dançarem na neve. O boneco perguntou quem eram eles. O cão, então, lembrou da época que era um filhote e o deixavam ficar dentro da casa. Aquele casal ainda era criança. Relembrou também da época em que ficava horas ao lado da lareira.
- A lareira é tão bonita assim? Parece comigo?
O cão riu. Era exatamente o contrário. A lareira era negra como o corvo e tem um pescoço comprido. Come lenha e solta fogo pela boca. “Você pode vê-la de onde está”, disse o cão.
O boneco de neve viu pela janela a lareira e teve uma sensação muito estranha, um pressentimento estranho o invadiu. Mas ele não sabia o que era.
E por que não fica o tempo todo com a lareira?
- Agora vivo aqui fora a maior parte do tempo, só algumas vezes posso ficar ao lado daquele calorzinho. Respondeu o cão.
A sensação do boneco de neve era de entrar lá e ficar ao lado da lareira. Nem que tenha de pular a janela e encostar só um pouco.
Durante à noite a sala onde ficava a lareira ficava mais convidativa. Quando abriam a porta, parecia que a chama se levantava. E o boneco de neve não aguentava: Como é bela!
De manhã. O gelo cobria a janela, e ele mal podia ver a lareira. Que saudades!!
Aí começou o degelo. O calor aumentou e o boneco de neve começou a emagrecer. Depois de algum tempo ele não existia mais. Em seu lugar estava uma pá. Era a pá usada para limpar a lareira. O boneco de neve havia entrado no corpo da pá e isso o fazia se sentir tão próximo da lareira.

1 comentário
02/04/2009 às 12:32 pm
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